Um deslizamento de lama repentino prendeu Lin Huixing no porão de casa. Quando parecia não haver saída, ele encontrou ali uma porta de madeira. Atrás dela havia um mundo totalmente diferente, de outra época. Ferido e desmaiando, Lin Huixing foi salvo por um homem daquela era. A aldeia antiga era pobre e atrasada, com gente magra, de ossos aparentes, vestindo-se de maneira que mal cobrindo o corpo... Pelo cuidado de todos no vilarejo, Lin Huixing viu o quanto os camponeses antigos eram pobres: trabalhavam duro todos os dias e, no fim, ainda passavam fome, não conseguiam se aquecer, e no inverno muitos chegavam a morrer de fome. Com a vantagem de poder atravessar livremente os dois mundos, Lin Huixing começou a fazer o vai-e-vem de produtos entre o moderno e o antigo. Óleo, sal, molho, vinagre comprados ali na cidade, frutas e verduras da própria horta, e até os caramelozinhos de leite que ele dava de brincadeira às crianças da vila — tudo isso, sem muito valor no presente, acabou virando uma ruptura total na visão de mundo dos antigos de Shanglianggou. Não havia, nem em gerações e gerações, nada tão delicioso em suas mesas. Para que as mulheres da aldeia também tivessem como se sustentar, Lin Huixing espalhou encomendas de trabalhos manuais para que elas fizessem. Ferramentas práticas modernas, frutas e verduras saborosas, algodão branco como nuvens... No início, ele só queria melhorar um pouco a vida do povo de Shanglianggou. Mas, com o ouro, jade e joias trazidos do passado, Lin Huixing, esse pequeno comerciante entre planos, acabou sem perceber já tendo alcançado total liberdade financeira. Prévia — “Minha Porta de Madeira dos Anos Setenta” — Em casa surgiu uma súbita crise e precisavam de muito dinheiro; Ying? N? Não, recém-formada na universidade, Ye Ning foi forçada a virar “996”, uma escrava corporativa. Toda a família inteira espremia-se numa casa de aluguel em ruínas, e no dia de descanso ela ainda precisava pegar bico para pagar o próprio custo de vida. Viver era como ser um cadáver ambulante, pensou ela: um corpo ainda quente. Ye Ning achava que passaria a vida inteira afogada em dívidas enormes, mas, sem querer, encontrou uma porta de madeira no velho celeiro da casa. Atrás dela havia um novo mundo: florestas verdes, água correndo, cabanas de madeira em ruínas... Só depois ela descobriu que a porta de casa podia atravessar o tempo — direto para os anos setenta. Só os membros da família Ye podiam circular livremente. Curvada sob o peso da vida, Ye Ning viu as montanhas cheias de cogumelos, dendrobium, he shou wu e os olhos dela brilharam: dinheiro! Dinheiro em toda parte! O “sete zero”, que para os avós era sinônimo só de pobreza e fome, tornou-se para Ye Ning uma oportunidade gigantesca. Tudo que fosse fauna e flora silvestres ainda legais para consumo podia ser levado ao presente e vendido como iguaria! Além disso, ela encontrou um baita negócio: - Duzentos jin de arroz, nos anos setenta, valiam uma pulseira de jade de ótima qualidade; - as joias de ouro do mercado negro dos anos setenta custavam apenas três yuans por grama; - milhões de selos de coleção eram compráveis por poucos centavos cada. Sem hesitar, Ye Ning só pensou: “Comprar!” As verduras silvestres encontradas por toda a montanha, levadas ao presente, eram limpas, naturais e com preço alto. Muitos animais e plantas que hoje seriam ameaçados de extinção ainda não despertavam preocupação nos setenta; qualquer um podia cavar e recolher para colocar na mesa. Ye Ning ficou com o coração apertado: era preciso encontrar um jeito de repassar isso ao Estado. Com a porta de madeira da família, ela não só quitou as dívidas facilmente, como ganhou uma grana grande — e não só uma vez, várias vezes. No presente e nos anos setenta, sua vida prosperou. Sem ter o que fazer, ela contava as joias e o ouro que havia reunido; quando estava de bom humor, ajudava os vizinhos pobres ao lado. Ye Ning concluiu: “A vida, tem gosto!”
A chuva fina e constante caiu por três dias seguidos, impregnando o ar de Nanxian com uma umidade sutil. Coincidiu com a grande feira que acontece a cada três dias na cidade, atraindo uma multidão de comerciantes. Aproveitando o movimento, Lin Huixing dirigiu sua velha van cheia de defeitos até o centro da cidade para abastecer-se de mantimentos.
Se algum conterrâneo o visse, certamente acharia estranho. Afinal, Lin Huixing morava sozinho, por que comprar tantos suprimentos? Quanto tempo levaria para consumir tudo aquilo? Felizmente, o vilarejo de Qianmiao, onde ele residia, não tinha linha de ônibus, e os moradores geralmente vendiam seus produtos ou compravam o que precisavam sem ir até o condado. Assim, sem medo de encontrar conhecidos, Lin Huixing podia adquirir o que necessitava sem preocupações.
Nanxian, localizada na cidade de Q, era uma região típica de montanhas e colinas, o que tornava as estradas que conectavam o condado aos vilarejos sinuosas e acidentadas. Se não fosse pelas dezenas de viagens feitas ao longo do último ano, Lin Huixing não teria preferido a distância do condado ao invés de comprar no vilarejo mais próximo. O motivo era simples: nas zonas rurais, as notícias correm rápido de casa em casa. No vilarejo, todos se conhecem, e bastava Lin Huixing comprar algo para logo todos saberem. Desta vez, por motivos especiais, ele comprou uma quantidade maior de suprimentos, o que poderia levantar suspeitas. Para manter sigilo, só lhe restou ir até o condado.
Depois de acomodar as compras no porta-malas, Lin Huixing atravessou o vilarejo e