Xu Jingwen transmigrou para a Coreia do Sul; logo de início, contra-atacou e matou o irmão gêmeo que tentava assassiná-lo. Aproveitando-se da semelhança perfeita entre ambos, usurpou a identidade do irmão morto, apropriando-se de seu cargo de promotor, sua casa, sua esposa. Substituindo o irmão, decidiu tornar-se um homem virtuoso, determinado a erradicar até o último corrupto e criminoso. Contudo, já no primeiro dia de trabalho, descobriu que o corrupto era ele próprio... PS: Protagonista libertino, com conduta um tanto insolente; obra de puro deleite, não recomendada para quem não aprecia esse estilo. Autor veterano, sem armadilhas, com livros completos e consagrados já publicados.
“Tik-tak... Tik-tak... Tik-tak...”
O som de gotas d’água ao lado de seus ouvidos tornava-se cada vez mais nítido. Xu Jingwen esforçou-se por diversas vezes até finalmente conseguir erguer as pálpebras, que lhe pesavam como se fossem feitas de chumbo; aos poucos, as imagens turvas diante de seus olhos começaram a ganhar contornos mais definidos.
Úmido, estreito...
Que lugar era aquele?
Por que suas mãos e pés estavam amarrados?
Nem teve tempo de refletir, pois uma torrente de memórias estranhas, ao mesmo tempo familiares, irrompeu em sua mente—lembranças que, sem dúvida, não lhe pertenciam.
O semblante de Xu Jingwen tornou-se imediatamente perplexo, tomado por inquietação e incerteza.
Ele havia atravessado o tempo.
Em sua vida anterior, fora um comerciante—sempre negociando no exterior, vivendo dias de vento em popa, até ofender o filho de um parlamentar local. Não só sua empresa fora fechada, como ele próprio acabara lançado numa prisão.
Achara que passaria o resto da vida atrás das grades, mas jamais poderia imaginar que, ao despertar de um sono, sua alma cruzaria eras para se alojar no corpo de um sul-coreano no ano dois mil.
O corpo que ocupava agora também se chamava Xu Jingwen, nascido na cidade metropolitana de Incheon, com vinte e cinco anos, membro central da organização mafiosa de Seul conhecida como “Gangue das Sete Estrelas”.
Por que estava ali, amarrado?
Nem mesmo Xu Jingwen sabia responder; nas memórias do antigo dono do corpo, tudo que lembrava era de tomar um café em casa antes de pe