“O que existe fora deste mundo?” “É escuridão, geada, inverno rigoroso, noite eterna; é o desaparecimento da vida, a ruína da ordem, o colapso da lógica, o desmoronamento quântico... talvez...” “Talvez?” “Talvez, lá fora, ainda exista um oásis. Ali reside a esperança, o renascimento e o último bastião da luz.”
23h44.
A estação de metrô leve estava completamente vazia. Enquanto corria, Gu Shen lançou um olhar ansioso ao relógio em seu pulso.
Será que ainda conseguiria pegar o último trem...? Um traço de inquietação lhe atravessou o semblante, mas, ao longe, um rumor surdo ecoou imediatamente.
— Rrrrrrum...
No túnel escuro e sombrio, milhares de arcos de luz explodiram, e o último metrô leve aproximou-se, reduzindo a velocidade até parar com suavidade diante de Gu Shen.
Ao ver o trem, um alívio momentâneo percorreu-lhe o peito, mas logo sua expressão voltou a se crispar; prendeu a respiração.
Assim que as portas se abriram, um odor metálico de ferrugem invadiu-lhe as narinas.
Deu dois passos atrás, examinando o vagão. Era antigo, o exterior manchado e enferrujado, e junto à janela, em tinta branca, três números perfeitamente desenhados:
Zero zero um.
“Se não me falha a memória, na cidade de Da Teng... esse tipo de trem já não deveria ter sido aposentado há tempos?”
“Bi-bi-bi—”
Não havia tempo para pensar. No último instante antes que as portas se fechassem, Gu Shen curvou o corpo e, num salto, esgueirou-se para dentro, escapando por um triz.
Agarrou-se ao corrimão, soltando um suspiro de alívio.
Foi então que, de relance, seus olhos captaram algo.
“Oh...”
Seu coração desacelerou por um instante.
Normalmente, naquele horário, o metrô leve seguia em direção à periferia, e o último trem raramente levava outros passageiros além dele próprio. Mas, hoje...
Havia uma garota no vagão.