No portão do grande complexo residencial da Universidade Chu Hua, o tio porteiro, após atender a um telefonema, abriu a janela e bradou com vigor em direção ao pequeno bosque próximo: “Carvãozinho, sua mãe está te chamando para jantar!” Num relance — um gato preto disparou do matagal denso do bosque, correndo em direção a um dos edifícios, sumindo num piscar de olhos na entrada do corredor. Logo atrás dele, uma cabeça felina após a outra foi surgindo do meio das plantas. Era hora da refeição: cada um de volta à sua casa, cada um ao encontro de sua mãe. … Dizem que os gatos são os únicos seres deste mundo cujo povo inteiro é composto de lunáticos. Yuan Fang, o que você acha disso?
O primeiro gato a ganhar fama no grande pátio da Ala Leste não foi o negro Carvão da família Jiao, tampouco o “robusto e ponderado” Grandão, e muito menos o “Venerável Amarelo” Ah Huang. Naquela época, os “Quatro Patifes da Ala Leste” ainda não haviam conquistado os corações, mas quase todas as crianças do pátio sabiam que ali vivia um Gato-Preto Xerife.
Certa vez, uma criança, recém-saída de uma aula do clube de pintura, avistou o Xerife, com apenas oito meses de vida, correndo com um rato entre os dentes. Chegando em casa, ainda tomada pela empolgação, nem sequer pensou em comer: munida de sua veia artística, pegou os lápis de cera e desenhou uma cena intitulada “O Gato-Preto Xerife captura com bravura o pequeno ladrão”. A ilustração foi enviada a um concurso e, depois disso, não apenas os moradores do pátio da Ala Leste, mas também da Ala Oeste, e até estudantes de outras escolas da cidade vieram a saber: na Ala Leste da Universidade Chuhua havia um Gato-Preto Xerife.
Nas aulas de redação, quando o tema era “gato”, mais da metade das crianças da escola primária afiliada, cujas famílias não possuíam felinos, escreviam sobre o Xerife. Nessa época, os professores apenas sorriam, supondo que o afeto das crianças pelo tal “Gato-Preto Xerife” vinha dos desenhos animados, sem dedicar maior atenção ao animal real. Só muitos anos depois, quando aquele destemido “Gato-Preto Xerife”, outrora celebrado pelas crianças, tornou-se a mascote da Universidade Chuhua e sua imagem estampou jornais de todo o país, é que alguns dos antigos professores de língua reuniram-se no g