Trinta e seis dias de infinito, três mil mundos de caos primordial! Grande Ming, aqui estou! Porta do Dao, aqui estou! Decreto de símbolos, aqui estou! No seio da ordem secular dominada pelo Dao, avanço passo a passo rumo ao ápice do poder, buscando o objetivo supremo de ascender ao reino celestial!
Ano doze do reinado Jiajing da dinastia Ming, terceiro mês lunar, distrito de Shiquan, subordinação da prefeitura de Long’an, Província de Sichuan.
A cento e vinte li a leste da sede do condado, na aldeia de Zhao, o sol declinava no horizonte. Zhao Ran apoiava-se sobre o cabo da enxada, o olhar perdido nos arrozais ao pé do outeiro, o suor escorrendo-lhe pela fronte.
Se esta fosse uma travessia temporal corriqueira, talvez Zhao Ran batesse palmas e gargalhasse, celebrando a sorte grande. Poder manipular um “poder dourado” e destacar-se entre os homens, até mesmo alterar o curso da história — tal é o sonho acalentado por todo viajante entre épocas.
Infelizmente, Zhao Ran via-se obrigado a enfaixar-se com rústicas vestes de cânhamo, calçar sandálias de palha esfarrapadas, e, de torso nu, entregar-se ao labor exaustivo nos campos. O império Ming era fundado sobre a agricultura; ao camponês cabia resignar-se ao destino, labutando humildemente no mais baixo estrato da sociedade, lançando tijolos invisíveis nos alicerces do país. Tal era a sina de Zhao Ran — mas, sendo ele um forasteiro de outro tempo, como poderia aceitá-la resignadamente?
O corpo que Zhao Ran habitava pertencia a Zhao Sanlang; e, para seu espanto, ambos compartilhavam não apenas o nome, mas também o sobrenome. Não pôde deixar de conjecturar se a coincidência de nomes seria uma condição oculta para a travessia.
Até o ano anterior, o futuro de Zhao Sanlang parecia promissor. Os pais, comedidos na comida e no vestuário, sustentavam-lhe os estudos numa escola privada da aldeia vizin