De maneira inexplicável, Wang Chao retornou ao seu último ano do ensino médio em 2001. Neste período de grandes mudanças e oportunidades, seu único desejo era transformar o destino de si mesmo e de seus amigos e familiares mais próximos, para que todos pudessem desfrutar de uma vida um pouco melhor.
Wang Chao olhava, atônito, para a televisão à sua frente. O aparelho era antigo, o visor já se separara da parte traseira, revelando as dificuldades daquela família. Os flocos de neve que dançavam na tela pareciam refletir o caos de seu íntimo, uma confusão sem fim.
“Eu viajei no tempo?...” Mesmo confuso, Wang Chao percebia que aquilo não era um ensaio teatral. O quarto familiar, a casa decadente, cada detalhe conhecido – impossível de reproduzir num cenário de filmagem. Virou-se para verificar o calendário pendurado: 2001. Impressionante. Voltara diretamente para os tempos do terceiro ano do ensino médio.
“Espere...” Wang Chao apressou-se a ver a data: primeiro de julho.
“Que bom, que bom, as provas já acabaram. Se ainda estivesse no meio dos exames, estaria perdido...” Se era para voltar, que voltasse para si próprio. Pensando em sua vida fracassada, sentia que era justo recomeçar dali. Na última existência, Wang Chao havia estudado honestamente numa universidade de segunda categoria, buscado um emprego decente e, por fim, tornou-se um trabalhador assalariado – um escravo do sistema...
Só aos quase quarenta anos conseguiu tornar-se chefe de departamento, com um salário de dez mil, mas nem conseguia comprar roupas para os dois filhos... Para que o Ano Novo fosse um pouco mais próspero, trabalhou horas extras desesperadamente, atrás do salário triplicado, até cair diante do computador – provavelmente vítima de morte súbita.
Ao pensar nos filhos, Wang Chao sentiu uma dor profunda. Em outro tempo e espaço, sua partida repentina deixaria os doi