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No ano em que completei oito anos, uma tempestade caiu sobre a aldeia de Vale do Arado, na encosta da Velha Árvore.
O vento uivava, a chuva caía torrencialmente, e serpentes de relâmpago roxas dançavam furiosamente no céu.
A pequena aldeia, isolada nas montanhas, lutava para resistir à fúria da tempestade, e a nossa casa, de telhado quebrado, não conseguia conter o vento nem a chuva.
Recordo vividamente aquele dia: meu avô, com oitenta anos, olhos vermelhos e cheios de veias, o rosto pálido e assustador, sentado no limiar da porta, usava a água da chuva para afiar a lendária faca de ferro frio, transmitida de geração em geração em nossa família.
A lâmina tinha um metro e meio de comprimento, dois dedos de largura, ombro largo, dorso espesso e fio fino, e cada atrito sob a luz da lamparina na noite chuvosa lançava um brilho gélido nas paredes.
Sobre a mesa ao lado, repousavam duas fotografias encharcadas de lágrimas, entregues pelo carteiro naquela tarde.
O fundo das imagens era uma floresta de montanha, com um pequeno buraco entre a vegetação, largo o suficiente para que uma pessoa passasse. Fora da caverna, uma lápide de pedra negra exibia três caracteres: Túmulo do Marechal.
Na árvore ao lado da lápide, pendiam um homem e uma mulher.
O sexo só podia ser identificado pelas roupas, pois não tinham cabeça; a corda apertava firmemente o pescoço, e no nó era possível ver os ossos brancos da coluna cervical, partidos de forma assustadora.
A fratura mostrava um padrão irregular, indicando que as cabeças não haviam sido cortadas, ma