No ano de 1668, a cidade onde eu vivia foi eleita a região mais segura de todo o país. Isso se deve, em parte, a uma contribuição minha que jamais poderá ser esquecida. Afinal, fui capturado.
“Ó grande Observador do Fim, Ashur de His! O bem te segue, o mal te venera! A luz anseia por ti, as trevas também te desejam! Tu és a existência que transcende tudo, o matiz que os deuses conferiram a toda a criação!”
“Ó grande Observador do Fim, Ashur de His…”
Ashur estava sentado no trono de pedra gelado, observando à sua frente uma multidão de figuras estranhas vestidas com mantos negros, todas ajoelhadas e prosternadas, orando e batendo a cabeça diante dele. Por trás da expressão severa, seu coração estava tomado pelo pânico.
Não se podia culpá-lo; afinal, um segundo atrás, sua última lembrança era a de uma madrugada extenuante naquela maldita empresa de jogos para celular, exaurindo-se até o limite em busca de lucro. No instante seguinte, ele se via nesse salão subterrâneo estranho, recebendo a adoração de uma multidão. Qualquer um ficaria desnorteado.
Ainda mais estranho era que Ashur compreendia perfeitamente a língua deles, como se fosse sua língua-mãe, sem esforço algum de tradução, captando de imediato o significado de cada palavra. Quando sua mente se acalmou, logo chegou a uma conclusão: havia atravessado para outro mundo, e sua alma agora habitava o corpo de alguém com o mesmo nome.
Desde criança, diziam-lhe que seu nome soava fantasioso, mas Ashur jamais imaginou vivenciar algo tão surreal.
No entanto, ele não possuía o sobrenome “His”, e justamente por isso pôde ter certeza de que não era um sonho.
Não só o nome era igual, como a aparência parecia semelhante. Ao mover dedos e artelhos, percebeu que tudo em seu corp