No mundo das artes marciais, sou conhecido como Quatro Senhor Gu, cujos punhos desafiam nobres e cujos pés derrubam oficiais. Transito tanto pelos salões do poder quanto pelos aposentos das damas. Sou apenas um príncipe ocioso, não um príncipe virtuoso. (Na última história, o príncipe avançou depressa demais; desta vez, aprendi a desacelerar.)
Com uma fortuna de cem mil taéis à cintura, montado numa garça, desceria até Yangzhou.
Naquele momento, pelas ruas da capital, um jovem caminhava com passos desdenhosos, girando um leque de osso de jade entre os dedos, dando plena vazão ao espírito de um dândi incorrigível. Qualquer dama de alguma beleza era minuciosamente avaliada por seu olhar atrevido.
Tudo lhe despertava curiosidade, e seus olhos de fênix reluziam ao esquadrinhar os arredores, soltando ocasionais estalidos de admiração.
Não esperava que os arredores do palácio fossem assim.
“Não é como imaginava, que todas as damas nobres jamais saíam de casa.”
“Ainda há moças que saem à rua com véus.”
“Hum, parece que os costumes da Dinastia Daqian não são nada maus.”
O rapaz era daqueles que faziam inveja aos homens – alto, belo de rosto – e as mulheres sentiam-se quase desfalecer ao vê-lo.
Só que seu jeito denunciava um ar de provinciano recém-chegado à cidade.
Até mesmo o homem que vinha atrás dele, carregando uma espada, não pôde deixar de franzir o cenho e reclamar:
“Vossa Alteza, o senhor mudou.”
O jovem não se virou, apenas riu baixinho e perguntou:
“Eu mudei? Fale menos e coma mais, se continuar tagarelando, corto sua língua.”
No palácio, precisava controlar-se, atento ao decoro, fingir frieza para parecer digno.
Mas sua natureza era livre.
Treze anos enclausurado, usando máscaras e reprimindo seu verdadeiro eu, como não se sentir sufocado?
Agora, finalmente livre, com o imperador longe e o céu por testemunha, por